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terça-feira, 7 de abril de 2015
A violência, uma escolha ou um destino?
A violência é o maior enigma da natureza humana: por que existe o mal? Por que não somos capazes de evitá-lo? E o pior é que ninguém pode dizer que está a salvo, de um dia se tornar um assassino. Todos podemos odiar, ferir e até matar. Ou não podemos? Podemos. É este limite entre a violência e a bondade que define o humano. A liberdade é escolher entre a animalidade e a humanidade, entre a lei da selva e a civilização. A escolha é da razão e da bondade humanas. A escolha é de cada um. A violência não não é um destino.
Terror e morte numa universidade do Quénia
Mais de cento e cinquenta mortos, dezenas de feridos em estado grave, inexplicável o que se passa em tantos lugares, em que o extremismo árabe tem adeptos e grupos prontos a matar e a morrer.
É o mal em estado puro. Não me venham falar de Deus, do profeta, de religião, do que seja, não me venham falar de valores não ocidentais, de pureza e de regresso à essência do islão. Não me falem de nada, assassinos cruéis. São vocês que têm de ouvir. Aqui não há passagens, não há pontes, enquanto se mantiverem nesse obscurantismo.
É o mal em estado puro. Não me venham falar de Deus, do profeta, de religião, do que seja, não me venham falar de valores não ocidentais, de pureza e de regresso à essência do islão. Não me falem de nada, assassinos cruéis. São vocês que têm de ouvir. Aqui não há passagens, não há pontes, enquanto se mantiverem nesse obscurantismo.
Etiquetas:
extremismo islâmico,
violência; terrorismo
quinta-feira, 2 de abril de 2015
As raparigas ciganas
Aconteceu pela Páscoa (há muito tempo). Penso que seriam duas ou três
jovens mulheres ciganas, carregadas de filhos, uns ao colo, ainda bebés, e outros, também de curta idade, agarrados às longas saias. Bateram-me à porta a pedir esmola.
- Senhora dê-nos alguma coisinha,
nasceu um menino no acampamento, esta noite, e a mãe está muito mal e não temos
nada para lhe dar.
- Mas, o que posso dar?
- Podia dar-nos um bocadinho de
azeite, um bocadinho de pão, arroz ou batatas, para fazer uma miga ou uma sopa,
não temos nada.
- Não sei se tenho, vou ver.
- Pela sua saúde, pelas alminhas
que lá tem, dê-nos alguma coisa, o azeite é o que mais precisamos.
Não sei por quê, mas para mim o
pedido era verdadeiro, não me passava pela cabeça que estavam a mentir e que aquela
era mais uma estratégia de pedir esmola.
Acreditei. Fui buscar o azeite,
como já não era muito, dei-lhes a garrafa. Não tinha pão, dei-lhes algum
arroz e algumas batatas. Agradeceram e foram embora.
Fiquei a pensar, o dia todo, naquela rapariga que tinha tido um filho, em condições sub-humanas no
acampamento da beira da estrada e no perigo que corria, ela e o seu bebé. Mesmo que, naquele caso, pudesse ter sido uma história, a realidade era essa: nascer à beira da estrada, sem quaisquer condições, sem quaisquer direitos.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Equidade
Não há organização social, leis e instituições, sem um princípio de justiça. O principio liberal - todos os indivíduos são livres e iguais - defendendo a indiscutível igualdade perante a lei, não considera as diferenças sociais e naturais dos indivíduos e, por isso, esta igualdade simples pode, em relação a determinados casos particulares, ser muito injusta.
Para tornar a igualdade perante a lei uma realidade, é necessário criar igualdade de oportunidades, diferenciando conforme as necessidades específicas de cada pessoa. Portanto, a equidade não põe em causa a universalidade das normas (a igualdade perante a lei), considera apenas que, para que essa igualdade seja possível, é preciso diferenciar positivamente.
Para tornar a igualdade perante a lei uma realidade, é necessário criar igualdade de oportunidades, diferenciando conforme as necessidades específicas de cada pessoa. Portanto, a equidade não põe em causa a universalidade das normas (a igualdade perante a lei), considera apenas que, para que essa igualdade seja possível, é preciso diferenciar positivamente.
sexta-feira, 13 de março de 2015
A Bondade do Papa
"Por que há crianças a sofrer?" - pergunta
a criança filipina numa mensagem que lia ao Papa. Mas, não aguentou. Mesmo com
o apoio do jovem que a acompanhava e lhe tocava levemente nas costas, como que a dar força e ânimo
para que prosseguisse, continuou soluçando.
A menina chorou e fez chorar. O Papa
disse: “ precisamos chorar”, com o sentido de que precisamos de sofrer com os que
sofrem. “Nós, todos os instalados na vida precisamos chorar”, continuou o Papa.
Não sei quem é aquela jovem. Sabemos
que foi abandonada, que cresceu nas ruas e foi resgatada por uma instituição.
O Papa abraçou-a e ela abraçou o Papa, por baixo da cintura, à sua altura, como
se não houvesse distâncias. Talvez, a humanidade toda esteja aqui, neste gesto,
nesta proximidade, neste encontro.
O que vimos é evangelho, anúncio, boa
nova. O Papa surpreende a cada passo, seja em visitas pastorais, encontros
diplomáticos, encontros com o clero, telefonemas ou cartas para gente anónima…;
surpreende pelo inusitado, pelo novo, pela surpresa. Mas, talvez, cada gesto
tenha sempre o mesmo sentido e a mesma fonte: a bondade do Papa.
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humanidade,
personalidades,
vidas
segunda-feira, 9 de março de 2015
Perder a alma
Nem todos perdem a alma da mesma
maneira. Alguns não perdem, porque não a têm. Sem valores, sem sentimentos, agem no limite da animalidade.
Fazem tudo, roubam, batem, torturam, matam…, voltam a matar…como se nada fosse, como se nada se passasse, voltando às suas vidas criminosas, sempre da mesma maneira, sem qualquer consciência. Por que chegaram a este ponto? Por que chegaram aqui? Não sabemos.
Fazem tudo, roubam, batem, torturam, matam…, voltam a matar…como se nada fosse, como se nada se passasse, voltando às suas vidas criminosas, sempre da mesma maneira, sem qualquer consciência. Por que chegaram a este ponto? Por que chegaram aqui? Não sabemos.
Outros ficam loucos, perdem a alma, já não sabem quem são, vivem um inferno que lhes rouba a paz e tortura os dias.
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pessoas,
vidas,
violência de género
sexta-feira, 6 de março de 2015
Emigrante
No cais há um vai e vem contínuo;
uns partem, despedem-se, desejam saúde e sorte por lá, de rosto fechado, às
vezes em lágrimas; outros reencontram-se, enchem-se de felicidade, há sorrisos
e alegria.
Aquele homem, afastado de todos, sofria.
Fingia uma força que não tinha: “trabalho na Alemanha, por lá a vida corre bem,
mas o pior é deixar a mulher e os filhos”- diz-me.
Muitos dos que entraram vão à
janela acenar aos que ficam, enquanto o comboio se afasta mais e mais. Ele não
deixou ninguém no cais, não tem a quem acenar, sente-se exausto, cai no
assento, abandona-se, procurando não pensar. Até daqui a um ano, se vier, haverá
tempo para milhares de vezes rever na mente todas as pessoas e paisagens que
deixa atrás e que agora se recusa a olhar. Recolhe-se a um lugar, onde há uma
proximidade e uma presença que só ele conhece.
Já não está ali, apesar de estar.
Regressou à sua casa, à mesa com os filhos, às conversas entrecortadas,
inacabadas, aos gestos e aos mimos dos que ama. Parte, sem partir. Quase nunca
estamos onde vivemos, pisamos as ruas, subimos escadas…, estamos onde sentimos
um existir que nos preenche por dentro.
Passará tempo, até voltar a abrir
os olhos e a perguntar ao vizinho do lado: “também vai para a Alemanha?”
- Não, vou para França.
França, Alemanha, tanto dá. Tantos
destinos, tantas paragens, tanto descer e subir. Era assim nos anos setenta do século passado. É assim (ainda hoje é).
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Emigração,
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