terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Bom Ano de 2019


Desejo a todos um bom ano de 2019, a todos os níveis.  
Um dos meus desejos, seria que esta zona interior do país, onde vivo, pudesse reverter a sua crescente desertificação, o seu quase abandono. Não vejo políticas de desenvolvimento sustentáveis que levem os jovens a permanecer.
As autarquias do interior não podem transformar as terras em «parques» ou roteiros temáticos (históricos, gastronómicos, desportivos…), para turista ver, quando, até essa «bênção» do turismo, com expressão, no global, do país, parece não ter por aqui números muito significativos. Não sou contra, mas não vejo o impacto desejado na vida das pessoas de forma a melhorar a sua realidade social.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

O humano em nós


Ao nível do senso comum, se perguntássemos a alguém: 
- Quem somos? 
Todos responderiam: 
- Somos seres humanos. 
Assim, pertencer ao género humano é o que nos identifica, independentemente de raças, etnias, culturas, crenças e etc. 
Se continuássemos a questionar, todos chegariam a dizer que ser humano significa pensar, falar, escolher, decidir e agir – tudo um conjunto de características que identificamos com o ser pessoa, com aquilo que é comum à humanidade.


segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Bom Natal


Desejo a todos um Bom Natal. Repito um poema sobre o racismo, ainda, hoje, a maior das discriminações. 

É proibido publicar

Seria aborrecido se Cristo
Voltasse, e fosse preto.
Há tantas igrejas
Onde não poderia rezar
Nos Estados Unidos
Em que o acesso dos negros
Por santos que sejam, é proibido.
Em que se celebra
Não a religião
Mas a raça.
Experimentai dizê-lo
E pode ser que sejais
Crucificados.

(Langston Hugges, 1902-1967, Estados Unidos da América)



terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Valas comuns de todas as guerras

 À memória de tantos e tantos milhares de pessoas (talvez milhões), combatentes ou não, vítimas de todas as guerras, que um dia foram enterrados em valas comuns e de quem nunca mais se soube o rasto. Passado pouco tempo cresceu a erva, depois, já sem sinal do que ali existe, fizeram estradas e caminhos de ferro, plantaram árvores, construíram edifícios...  Perderam-se, assim.

Sobre este tema, deixo um poema de Carl Sandburg:
Erva
 Empilhem os corpos em Austerlitz e Waterloo.
Acamem-nos bem e deixem-me trabalhar –
Eu sou a erva; eu cubro tudo.

E empilhem-nos também em Gettysburg;
Empilhem-nos em Ypres e Verdun.
Acamem-nos bem e deixem-me trabalhar.
Dois anos, dez anos, e os passageiros perguntam ao motorista:
Que lugar é este?
Onde é que estamos?

Eu sou a erva.
Deixem-me trabalhar.

                      


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Situação dos direitos humanos em Portugal, em 2018

Se não conseguiu acompanhar as notícias ontem, deixamos-lhe aqui um breve resumo da análise que fizemos em televisões, rádios, na imprensa e online, sobre este ano de 2018:
1) A principal conclusão, em Portugal e em todo o mundo, é que foram as mulheres que estiveram na vanguarda da luta pelos direitos humanos. Foram elas que souberam dar a resposta mais acertada a líderes repressivos, porque também são as mulheres que continuam a sofrer as consequências dos seus direitos continuarem a ser postos um grau abaixo dos outros direitos e liberdades. Em Portugal as mulheres continuam a ser as mais afetadas pela violência de género e nas ruas lançou-se o combate à violência sexual.
2) A segunda conclusão, uma vez mais a nível global, é que há líderes "durões" que estão a impulsionar políticas misóginas, xenófobas e homofóbicas e a colocar direitos e liberdades há muito conquistados em renovado perigo. Portugal não está tão longe desta realidade como possa à partida parecer. As autoridades portuguesas já receberam recomendações para a sensibilização, prevenção e erradicação do discurso do ódio, sobretudo na internet.
3) Em Portugal, as condições habitacionais continuam a não ser adequadas para algumas pessoas e este problema afeta sobretudo pessoas afrodescendentes e comunidades ciganas.
4) 2018 foi ainda um ano em que a integração de refugiados e requerentes de asilo ficou comprometida em Portugal por vários problemas que têm sido relatados na comunicação social e por diversas entidades. O governo português tem anunciado o acolhimento de pessoas que precisam de proteção internacional, mas é preciso agora melhorar a forma como as acolhemos.
5) Preocupante é também que Portugal continue a ser referido por órgãos internacionais de monitorização em matérias como os maus-tratos e o uso excessivo da força, as condições nas prisões, o racismo e a discriminação, por vezes, por parte das forças e serviços de segurança nacionais. Mas na verdade Portugal tem de continuar a lutar em termos gerais contra a discriminação, sobretudo em relação a pessoas afrodescendentes, comunidades ciganas e lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e intersexuais.


(transcrito do email que recebi ontem da   Amnistia Internacional)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Dia Mundial dos Direitos Humanos - 10 de dezembro


A Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) é o documento mais importante, porque contém todos os princípios que a humanidade deve proclamar e  proteger. Traduzida em todas as línguas e em muitos dialetos (há mais de 300 traduções), é composta por 30 artigos que, sumariamente, podíamos enunciar assim: 
- 1º artigo: igualdade de direitos e dignidade; 
- 2º artigo: iguais liberdades individuais, independentemente da cor, sexo, língua, religião, opinião;
- 3º artigo: vida, liberdade e segurança pessoal; 
- 4º ao 21º artigos: direitos civis e políticos;
- 22º ao 27º artigos: direitos económicos, sociais e culturais; 
- 28º  ao 30º artigos: ordem internacional e a responsabilidade de cada pessoa. 





quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Por que falham as instituições?

Têm sido uns dias de grande convulsão: as greves dos enfermeiros que paralisam os principais blocos operatórios; a greve dos guardas prisionais que impedem as visitas aos presos e originam tumultos em vários  estabelecimentos prisionais; as agressões a instruendos do curso de militares da GNR, em Portalegre, que parece uma coisa impossível de acontecer;  a manifestação do senhor Eduardo Jorge, tetraplégico, frente à Assembleia da República, lutando pelo direito a uma vida independente, já consagrada em lei, mas sem concretização; a mulher grávida de nove meses, brutalmente agredida, na rua, pelo marido. E podia continuar, repetem-se os exemplos.

O país  que na mesma semana ganhou não sei quantos prémios no turismo, é este  que nega direitos, que não cuida dos seus cidadãos. É o mesmo país, e as mesmas assimetrias