Já aqui escrevi
sobre ele. Sobre a sua degradação física, o seu olhar perdido e doente.
Acabaram de o
encontrar morto em casa, sozinho, sem ninguém.
Mas, afinal, a
sua solidão era igual à de muitos outros que morrem sós, nos lares, nos hospitais ou em suas casas. Tinha filhos, dizem-me que um deles tinha estado cá há pouco tempo.
Mas, a sua tormenta
não acaba hoje, mesmo parecendo que acabou. Dadas as circunstâncias, vieram as
autoridades e foi levado para a medicina legal, na Covilhã, para ser autopsiado.
É assim. Quem
tomará conta dele, do enterro?.
Certamente, virão os filhos, se não a misericórdia ou outra
instituição fará o seu melhor.
Sinto a sua
morte e recordo a sua vida de jovem adolescente que foi para França, ainda, muito novo, para
fugir à guerra de África e à miséria em que aqui se vivia. Por lá, viveu dias felizes e maus, é certo que não se pode dizer as pedras no seu caminho tenham sido poucas.