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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

O pianista (o texto mais lido neste blogue)

É o relato de um sobrevivente, de alguém que perdeu toda a família, passou o inimaginável para sobreviver, mas nunca vendeu a alma. É sobre uma pessoa real, Szpliman, que, na altura do filme, em 2000, ainda vivia em Varsóvia. Talvez, o que mais perturbe sejam as cenas de humilhação, quando se perde completamente a capacidade de autonomia (ainda que, em rigor possamos dizer que tudo era humilhante), como a cena da dança, à saída do gueto, os judeus dançavam para os guardas, que troçavam, riam, voltavam a rir…; ou as cenas de sobrevivência, como quando um grupo de pessoas tenta roubar uma panela de sopa das mãos de uma senhora; ela foge, a sopa entorna-se, e aquelas pessoas lambem do chão, tudo, até ao mínimo resto de alimentos. Também a cena da criança que grita desesperadamente em casa, a certa altura, sai por um buraco para a rua, mas é tal seu estado que morre, ali, à nossa frente. Foi o mesmo desespero por comida que levou o pianista, quando estava refugiado numa casa e a pessoa que devia levar-lhe alimentos não pode fazê-lo, tal a dimensão do tiroteio em Varsóvia, a procurar alimentos por todo o lado, a abrir portas de armários, a fechar portas, procurando alguma coisa que pudesse comer. Quando finalmente encontra uma lata, agarra-a com tanta força que a lata cai no chão, espalha-se a farinha e o barulho é tal que os vizinhos chamam a polícia e o pianista é preso. Também, há no filme encontros humanos muito bonitos: os polacos não judeus que resolvem ajudar os judeus a sobreviver, a organizar a resistência no gueto, etc. Há um encontro particularmente improvável de um soldado alemão que encontra o pianista, fugindo e escondendo-se. Olha-o e pergunta-lhe: - Quem é você? - Sou pianista, eu era pianista. Há um clic qualquer no SS que resolve ajudá-lo. Depois do cerco a Varsóvia, este soldado, tal como todos os outros, é preso e lavado pelos russos para um campo de prisioneiros. Um dia viu, ao longe, um rapaz que gritava:“eu era violinista, tiraram-me tudo". Lembrou-se do pianista, levantou-se, afastou-se do grupo e disse ao violinista: - Conhece Szpliman? - Sim. - Diga-lhe que estou aqui. Mas, quando Szpilman o procurou, no campo de prisioneiros, depois de ter tido conhecimento do sucedido, percebeu que o campo tinha sido desmantelado e que esse soldado já não estava vivo. O filme é em sua memória e em memória dos judeus mortos

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Dia Mundial dos Direitos Humanos

No dia 10 de dezembro de 1948, em Paris, foi assinada a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Dotados de razão e consciência, devem agir uns com os outros em espírito de fraternidade” (1º artigo).

 Todos iguais, em dignidade e direitos. Ter consciência disto, é o primeiro passo, para se compreender a universalidade e legitimidade moral dos direitos de toda a humanidade. Mas, são tantos os excluídos! São tantos os que não têm o mínimo dos mínimos!

Sempre, o drama da imigração clandestina


sábado, 4 de dezembro de 2021

Estima, cuidado, compaixão...

 Quem não tem a capacidade de estima e de compaixão, não têm a capacidade de sentir as injustiças, de criar vínculos e de um envolvimento que ultrapasse os direitos e obrigações formais e inclua a dimensão da gratuidade. 

Esta perspetiva da cidadania inclui para além da razão, os sentimentos e é capaz de incorporar a estima pelos valores.

sábado, 27 de novembro de 2021

Um sinal verde e uma luz acesa

 Em muitas casas polacas, junto à zona de fronteira com a Bielorrússia, à noite, colocam um plástico verde às janelas e acendem uma luz lá dentro. É o sinal, para o que vagueiam por ali, os imigrantes asiáticos, saberem que podem bater àquela porta, comer uma refeição, aquecerem-se, carregar os telemóveis, ouvir uma palavra de alento….

Gestos de humanidade como os dos polacos que colocam sinais verdes e acendem luzes, são do mais tocante que há.

Enquanto isto, a polícia polaca tem ordens para os levar à força para longe, floresta dentro, para os levar a desistir.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

A importância da cultura

 No reconhecimento cultural, tal como o conceptualiza Taylor (1998), todas as culturas têm igual valor, desde que exista um quadro de valores partilhado, por todos os seus membros, onde se inclua uma noção de bem, ou seja, onde se inclua um sentido ético de vida boa, de vida plena, que os indivíduos não encontram noutro lugar.

domingo, 21 de novembro de 2021

Convenção Internacional dos Direitos das Crianças (1981)

 Foi ontem o dia internacional desta convenção. Existe para lembrar aos governos que as crianças e jovens até aos dezoito anos são um grupo vulnerável a requerer cuidados e programas especiais, por parte das família e da sociedade em geral.

Em Portugal, onde julgamos existirem todos os direitos, continua a pobreza infantil, uma em cada seis crianças, é pobre. Ou melhor, vivem em agregados familiares pobres que, por desemprego, baixos salários ou outras razões, não podem dar aos seus filhos o que é necessário para o seu pleno e devido desenvolvimento.


Crianças sorrindo à vida

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

COP26 e o acordo global

 Terminou a COP 26 e com um acordo global, assinado pelos 197 países presentes. Para muitos, foi um fracasso, sobretudo, devido às exigências de última hora da Índia e China que obrigaram a retirar do texto final a referência a uma data para se deixar de usar o carvão. Já devíamos estar acostumados a isto: é a alta política e o seu contínuo jogo de interesses.

O meu ponto é que, em vez de agendas políticas, os acordos globais deviam centrar-se nas evidências científicas; dar ouvidos a quem sabe dos assuntos, seria o modo sério de responder aos problemas climáticos.

 

                                                     Central a carvão (Foto: Getty Images)