Sou contra. Poderia aduzir razões (muitas, até) mas de nada
serviria, quando se trata de lidar com extremos. Não posso dizer que não seja sensível
à justificação cultural, mas a mesma é válida para quem quer andar de monoquini ou
sem nada, mesmo. Não poderia haver uma maneira de pensar um meio termo, saber o
que uns e outros poderíamos reciprocamente aceitar, em sociedades em que temos de viver juntos? Não haverá maneira de
encontrar pontos de cedência, sem que tudo desmorone, sem que qualquer espécie
de diálogo se torne possível?
Pesquisar neste blogue
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Tagore, aforismos (2)
Disse o poder ao mundo:
-És meu!E o mundo fê-lo prisioneiro no seu trono.
O amor disse ao mundo:
- Sou teu!
E o mundo deixou-lhe livre toda a casa.
(Aí está, nada aprisiona mais do que o poder, mesmo que os poderosos vivam na ilusão do contrário. Só o amor liberta, porque nada exige).
domingo, 14 de agosto de 2016
Tagore: aforismos (1)
Se de noite chorares pelo sol,
não verá as estrelas.
Chorar pelo que não podemos ter, só nos impede de desfrutar do que temos.
(Coração da Primavera, p. 103)
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Tagore, poeta indiano
Estou a reler uns textos de Tagore: ás vezes entendo tudo, ás vezes não entendo nada, ás vezes fico a pensar, a questionar-me, porque me atrapalha esta racionalidade? Porque não me deixo levar por um misticismo que tudo toca?
Não sei, quero sempre razões, explicações, causas e efeitos, quero sempre compreender, mas sinto que alguma coisa se afasta de mim.
Não sei, quero sempre razões, explicações, causas e efeitos, quero sempre compreender, mas sinto que alguma coisa se afasta de mim.
sábado, 25 de junho de 2016
Pessoas e sentimentos
Queria tanto escrever de forma simples, sobre coisas importantes, mas não sou capaz. Vivo enredada em conceitos, teorias..., que servem para muito pouco, porque nada é mais importante que a vida concreta de pessoas concretas, que riem, choram, amam, desprezam, sentem raiva, compaixão...; pessoas reais, afinal de contas.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Refugiados/deslocados: uma história (2)
- Não
preciso de água, o sol magoa-me, preciso de chão, de terra, que a minha raiz
seja colocada a uma profundidade boa, para poder crescer direitinha e forte. Sem
chão não vou poder resistir ao burburinho do vento, mesmo que seja fraco, não resistirei à chuva, mesmo que seja pouco forte - queixava-se a flor.
Há tantos perigos que espreitam quando as raízes são fracas e não temos
os apoios que precisamos para nos sentirmos confortáveis na terra. Preciso de uma
raiz presa à terra e de uma estaca que me ajude a segurar em pé.
A menina replantou a planta, fez um buraco
mais fundo, colocou a raiz completamente dentro da terra, alisou-a, fez uma
pequena poça que encheu de água e colocou-lhe, junto ao caule, uma estaca, como
uma muleta, para que a flor não caísse e se partisse, com o vento ou algum
encontrão.
Ficou à espera que ela reagisse àquela operação, sim, que replantar uma
planta é uma coisa difícil e que precisa de cuidados para ser bem sucedida.
A flor precisava de força para se agarrar com sucesso à vida e à terra do canteiro.
Passou tempo. A flor sobreviveu. Caíram-lhe as folhas, o fruto nesse ano não amadureceu, mas
ela agarrou-se à terra do canteiro, do seu canteiro, agora sentia que aquela terra também era sua. As raízes estão fortes, sente-se bem, está como se aí tivesse nascido.
Na
próxima Primavera, renascerá, terá folhas, flores e frutos. Presa à terra, está
presa à vida; ter um chão é sentir que nada de mal lhe pode acontecer e se
acontecer terá raízes para se defender. Já não acorda com dores de coluna, de
cabeça e de abraços, já não precisa de muletas nem de cuidados especiais, é igual às outras flores, precisa dos mesmos cuidados.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Refugiados/deslocados: uma história
T A flor murchava cada vez mais. Estava doente, há muito tempo, mas a doença tinha-se agravado, nas últimas semanas. O que se passaria com a flor? Fora plantada e regada, tinha sol, cuidados, mas não crescia como as outras flores suas vizinhas que tinham sido semeadas naquele canteiro. Talvez seja por ter sido trazida de outra terra e plantada, nasceu noutro lugar, num bonito vaso e aí era feliz, até ser arrancada com força e trazida para aqui. Ainda não se adaptou ao lugar e sofre de fraqueza até se habituar à terra. Precisa de mais atenção, de mais apoio, de mais água…,para que a sua raiz se agarre à terra, como se fosse sua, como se aí estivesse desde sempre, ai tivesse nascido, e sentisse que aquela terra lhe pertencia, também.
Talvez a plantação não tivesse sido feita com o cuidado necessário, talvez a raiz tivesse ficado muito à superfície e não pudesse alimentar-se como deve ser, talvez não seja nada disto e nem ela saiba bem porque se sente assim. Estava doente, sabia-se, porque não crescia como as outras e murchava, até que um dia começou a inclinar-se e a queixar-se de dores no corpo, queixava-se da coluna, dos braços e dos pés, inclinando-se cada dia mais um pouco até que parte da raiz ficou ao ar e começou a secar. Era o fim, se não a ajudassem a sobreviver.
Etiquetas:
deslocados,
integração social,
refugiados
Subscrever:
Comentários (Atom)